domingo, 31 de março de 2013
Estórias da carochinha.
Saiu de Sofala o futuro Fala-só no seu cavalo gentio e com ele conversava ao sulcar o mar bravio.
Quando no Tejo entrou e na praça descansaram avistou-os dom José que, com modos altaneiros, confiscou o belo equídeo-presenteando-o com um gato para o acompanhar...mas o felino arranhava
recusando-se a falar, fugindo pra uma janela, de onde ficou a mirar a senhora na cozinha e a gente a passar.
Vexado e só, o viajante pôs-se a milhas, parando numa travessa, onde ninguém o topou.
No terreiro sem delongas o rei monta o animal. Mudo se queda o corcel perante a fúria real e ainda hoje lá estão em cima dum pedestal.
terça-feira, 19 de março de 2013
sábado, 2 de março de 2013
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Abrir-se em COPAS
Para a Elisa, o Rinoceronte. o Pessoa e para mais 77 mini-pessoas que aprendo a conhecer (em) dia sim, dia não
Sobre o coração
triângulo invertido
ou taça
encarnada de sangue
ou não
que« gira a entreter a razão»…
Sobre o aparo da caneta
que verde aguerrida lança
muita tinta tinta preta
na noite do desamparo
nos dias de solidão
Sobre quem
a empunha e sustem
e em torno do qual
tudo e nada se dispõe
por sobre uns óculos de lua
seu eu figura triste
a sua triste figura
refletida a dobrar
gémeos em busca de mar…
Sobre o tanto se outrar
num perpétuo imaginar
sobre o mistério do ser
de existir sem viver
a arte jogo de pena
sob a carta de baralho uma carta escrever:
variada vem serena
surpreendente visão…
Sobre a sede d’ emoção
sobre esse comboio de corda
que é chama- o coração!
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
a Àrvore de Rudy Romeo
Better be jocund with the fruitful Grape
Then sadden after none, or bitter, Fruit.
Omar Kayam
«...É que o vinho de Xiraz é uma mentira para quem o toca com a Sede. Maduro, lembrando o calor do leito da amada, o contacto quente do aço gelado do inimigo. É a Pelestina, a promessa, a Guerra. É Beirute vertendo, derramando e misturando VINHO E SANGUE, por uma vez unindo universalmente o rasgão da djelaba, ora ensanguentado pela artilharia vil, ou molhado pelo viril esperma de um desejo numa Fonte.
Eu fui sempre O Presente O Fiel O Amante.
Em cada concubina em cada guerra em cada Vinho.»
Rui Reininho, Sífilis versus Bilitis; Lisboa,&etc,1984
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Ocaso e alba
Pássaros encobertos cantavam: a neblina retirou-se de mansinho
mas não os vejo/ neste terraço/ que dá pró Tejo.
Aqui me sento e não me sinto/ daqui disfruto e não me minto.
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