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sábado, 8 de abril de 2017
Em louvor da proximidade
Uma noite, muito noite
muito branca
sem idade e
um contorno claro-escuro
tão real na proximidade
Um almoço para quê
bem pequeno um café,
se a casa muito grande
está cheia de estranhos
a pé?
sexta-feira, 7 de abril de 2017
Fui à beira do mar
quarta-feira, 5 de abril de 2017
Caparica: sol para os «tesos»
VERDES ANOS
Era o amor
Que chegava e partia
Estarmos os dois
Era um calor, que arrefecia
Sem antes nem depois
Foi o tempo que secou
A flor que ainda não era
Como o outono chegou
No lugar da primavera
No nosso sangue corria
Um vento de sermos sós
Nascia a noite e era dia
E o dia acabava em nós
Era um segredo
Sem ninguém para ouvir
Eram enganos e era um medo
A morte a rir
Dos nossos verdes anos
Pedro Tamen/ Carlos Paredes
terça-feira, 4 de abril de 2017
Sonho mau
Olho para os degraus,
olho e os degraus multiplicam-se,
olho e os degraus...
Proliferam os degraus,
crescem mais íngremes,
crescem e depois...
Luna & Onitsura
(1660-2017)
segunda-feira, 3 de abril de 2017
«Body and Soul»
Maria Beatriz
Body and Soul
O medo é um sinal na pele & pelas costas
incompreensível um buraco que entra no
coração e o atravessa um negrume o re
trocesso até à infância o medo é a mãe de
todas as coisas de que a guerra é pai à
trajectória do projéctil chamam alma dizem
soldados nesta língua toda a arma de fogo
tem a sua função a vida da alma é um vá
cuo um canal ferido é o medo entre as omo
platas quando lhe voltas costas ele atinge-te
Barbara Kohler
, Alemanha (1959)
domingo, 2 de abril de 2017
Rosas
AS ROSAS
Quando à noite desfolho e trinco as rosas
É como se prendesse entre os meus dentes
Todo o luar das noites transparentes,
Todo o fulgor das tardes luminosas,
O vento bailador das Primaveras,
A doçura amarga dos poentes,
E a exaltação de todas as esperas.
Sophia de Mello Breyner Andresen
sábado, 1 de abril de 2017
O tempo
CORO DE CINCO
Não sabemos o que seja o tempo.
Ele passa, enterra, desenterra,
Agita, enreda, remexe, revolve
E passa.
Em querendo medi-lo
Melhor seria pesar o vento
Ele passa, enterra, desenterra,
Enreda, remexe, agita, revolve
E passa.
Luísa Costa Gomes
, (1954) in
O Céu de Sacadura -
teatro
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