quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Na TV, o sangue não transborda


Mejor nos quedamos a ver la tele (buenas excusas)

¿Qué otra cosa puedo decirte?
La sangre se agolpa en las calles
Se estrella en el Palacio de Gobierno
Y en el rostro de un jefe de oficina
Se agolpa en el cantar de las aves
Y también en los comercios del centro
La sangre corre por todos lados
¡No se está a salvo ni en el baño, tigre!
Ni para comprarte bombones se puede
Para ir a la florería hay que traer escolta
¿Y te atreves a decir que quieres ir al museo?
No estarás tú para saberlo, pero la Casa Azul
Ya no es más azul, ya nada es más azul,
ni el cielo
Ahora todo se tornó violentamente rojo
Como la sangre que se agolpa en las calles
Como las sucias manos de nuestro regente
Rojo, como Rojo Amanecer con María Rojo
Y para ver casas rojas, mi amor,
no hace falta ir tan lejos.


Leonardo Ismael Ruiz Díaz, México (1993)


quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Sem amarras


                                                 Não me amarraram ao mastro
e
na imobilidade das horas
por longo tempo escutei
o canto
singrando em
rochosa reverberação
de um mar hoje
morto e onde
então mergulhei


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

"Chamados a comparecer"


CRIDATS A COMPARÈIXER

De no dir-les
les paraules se m’han dit. 
Quan anostrem un lloc
és ell que se’ns posa a la boca. 
És ella que ens sorolla,
la paraula a qui ens donem,
dòcils al sentit
que es deixa prendre,
com una boca que li fóssim.
Que és sempre ella,
la paraula,
que dubta de venir-nos
de deixar-se, o no, venir.

Perejaume, Espanha, 1957

domingo, 3 de dezembro de 2017

Precariedade existencial


Soneto

Nunca procurei
 enganar a vida
 e não vou dizer
 que ela me enganou

Não: a vida tem sido
 honesta comigo
 O problema é
 dar-lhe carta branca

Pois a minha precariedade
 é – acima de
 tudo - existencial

Contra ela não há
 contrato ou vínculo
 que me valha


Manuel A. Domingos, 1977

sábado, 2 de dezembro de 2017

Canções de inocência

Luísa e Salvador Sobral

Canção de inocência

Não acreditávamos nos velhos provérbios
 que vaticinam que a ventura é breve
 e o amor um enganoso fruto de coração incerto.

 Não acreditávamos nos velhos provérbios
 e fizemos bem, quem poderá negar que durante um tempo
 fomos felizes, semelhantes a deuses,
 que nunca então o medo nos tocou
 nem era possível incerteza nos nossos sonhos.

Não acreditávamos nos velhos provérbios...
 Mas isto era ainda no tempo em que
 desconhecíamos as sombras e os ardis,
 os tribunais funestos que o amor ampara
 e os tributos amargos que depois exige o desamor.

    Silvia Ugidos, Espanha, 1972


 ( tradução de Joaquim M. Magalhães)

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

O amor deixa tudo mais limpo?

  Blues

 a casa é um nojo sem ti o lava-loiça o quarto
 de banho os lençóis sujos a comida a apodrecer
 no frigorífico tu melhor que ninguém sabes que difícil

 é conviver com um tipo como eu incapaz de enfrentar
 assuntos tais como lavar a roupa o cesto
 das compras a escolha de detergente ou a solidão

 a minha vida é um nojo sem ti.

Pablo García Casado, Espanha, 1972


    (tradução de Joaquim M. Magalhães)