segunda-feira, 5 de outubro de 2020
quarta-feira, 30 de setembro de 2020
Outono 10º
morre a vinha
abraçada nas árvores
pousio de gestos antigos
emparcelamento
de pequenas solidões
sem rosto.
Francisco Duarte Mangas (1960)
segunda-feira, 14 de setembro de 2020
Mar estreito
The Sea Has Its Transformations... Make Way
Whoever saw a sea so narrow
narrow narrow
like the pupil of an eye
I mean - who
I have seen
and it's narrowing still
hardly space enough for the sputter of a strange gull
small fish can find no space in which to make a turn
Turn the discourse around
Language alone discards the images and disperses them
It is not me
language alone
So the sea invades the alleys
tinier than the gurgle of snails
as they suffocate
Hardly enough of it to make a hat
for the island, solitary, standing
in the cold
The solitary island remains
head bare and alone
The wind dispatches news to it
the storm, which is coatless, does not arrive
Narrow
We don't have enough of it to make a shirt
for a child
Smaller than a handkerchief waving goodbye
A narrow sea like this
what am I to do with it?
A sea that has claws and is fiercer than
a bird betrayed
He who knows the tiny narrow sea
has the right to set sail for weeping
for the island is bigger than the sea
the sea
Bigger, bigger
more spacious and glorious
open to the heavens and to names
and to secrets not to be revealed
and the sea is narrower than books and prison cells
more constricted than the meetings
between a prisoner and his wife
It doesn't hear or see
sábado, 5 de setembro de 2020
Refúgio 2
You can add up the parts
But you won't have the sum
You can strike up the march
There is no drum
Every heart, every heart
To love will come
But like a refugee
Leonard Cohen (excerto)
quinta-feira, 3 de setembro de 2020
Refúgio
(...) íamos compreender de imediato
que estávamos assentes num caiaque velho
equipado à pressa com um motor artesanal
Um destroço exumado do lodo
para os meios únicos da causa
e remendado sem rima ou razão que não tinha (esta cobaia)
nenhum saber das coisas do oceano ao invés das nossas canoas de antanho
que passavam a barra flexíveis e intrépidas
e se afastavam com um balanceio orgulhoso Se nos tivéssemos feito ao largo em plena luz do dia
teríamos visto entre nós sentada de viés
a morte que para ocupar menos espaço
cruzava as pernas como santa de pau carunchoso(...)
(excertos de um livro de S.K. que ando a traduzir)
| esta foto não foi tirada por mim!- mas gosto muito dela.
(Mas o que é uma viagem
a não ser a união da miragem à impaciência...) E pensar que podíamos ter remado pescoços quebrados e pulsos em diligência Desenhar uma parábola perfeita com os nossos corpos encostados Fazer a trajetória da ínfima deslocação dos nossos gestos infinitamente repetidos E pensar que fintando as vagas poderíamos ter remado remar apenas para matar o tempo e escarnecer da morte |
terça-feira, 25 de agosto de 2020
sábado, 8 de agosto de 2020
Dá fundo- flutuando
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