acoplados corpos
esguios
olhos e sémen
sobrevoando pântanos
A casa toda em branco e azul
chão de madeira
nodosa antiga
cujas janelas se abrem
para outras janelas
A casa que me alberga
abriga
e me consome
que me obriga a
esconder livros
a rasgar os meus papéis
esta casa onde 1 ciclo
certamente
se fechará.
Litania do eterno e do finito
Uma ilha já não é uma ilha hoje
O mar é um espelho
fundo
Coagulado
Sobrevoado
Distante
Tão parado
Tão longe já do medo
de outras eras
Uma ilha já não é de
muros de água
Para livrar-me dela
tenho asas
Libertei-me da ilha
no meu corpo
Mas tenho-a
enquistada na minha alma
Madalena Ferin (1929-2010)
o andar à nora
o andar à solta
o andar de gatas
o andar aos gritos
o andar em pulgas
o andar às aranhas
o andar com o rabo entre as pernas
o andar com a cabeça em água
o andar depressa
o andar de luto
o andar devagar
o andar devoluto
o andar com vistas
o andar com marquise
o andar em baixo
o andar de cima
Regina Guimarães, 1957