sexta-feira, 11 de março de 2016

Barbies


Introducing Barbara Millicent Roberts

sobre el volante del Volkswagen Beetle
tiene los brazos estáticos

tiene los pies estáticos
en el suelo
junto al acelerador

la sonrisa distorsionada en el espejo
de plástico

lentes de plástico también y el cabello
quieto ante un viento falso

cabeza torcida cabeza torcida
hay un pequeño pasaporte en el asiento
y un maletín que no cierra
en la cajuela

es otro día para Barbara Millicent Roberts
el mismo día que no empieza y no termina


II
Barbara Millicent Roberts

el nombre de la mujer ejecutiva

todas las niñas de los 90
queríamos ser como tú

alta bella inteligente
rubia de ojo azul

la imagen de la perfección

en rosa


Olga Carrizales (México,1989)


quinta-feira, 10 de março de 2016

«Nossa Senhora da Apresentação»


NOSSA  SENHORA  DA APRESENTAÇÃO

O altar as vagas,
 o dossel a espuma!
 Missas rezadas pelo vento,
 ora pelos fiéis defuntos que se foram
 noutras vagas,
 ora pelas barcaças que, uma a uma,
 buscaram as sereias na distância
 e se foram com elas.
 Sobre o altar, entre círios, que não são
 os círios murchos das igrejas velhas
 mas os lumes das estrelas,
 ELA,
 Nossa Senhora da Apresentação,
 Aquela
 que não tem mantos da cor do céu
 nem fios de oiro nos cabelos
nem anéis nos dedos;
 aquela
 que não traz um menino nos seus braços
 porque os seios mirraram
 e já não tem pão para lhe dar;
 Aquela
 que tem o corpo negro e sujo
 e os ossos a saltar
 da pele
 e dos rasgões da saia e do corpete;
 Nossa Senhora da Apresentação
 da Beira-Mar,
 que tem capelas
 em cada peito de marinheiro,
e que morre e, num instante,
 se renova
 e que anda
 quer nos engaços do sargaceiro
 ou nas gamelas do pilado
 e palhabotes da Terra Nova.
 Aquela
 a quem todos adoram.
                                         Dos meninos
 feitos nos intervalos das campanhas,
 aos bichanos que limpam de cabeças
 e tripas de pescado
 as muralhas do cais.

O dossel a espuma.
O altar as vagas
- e que altar enorme! -
Entre círios de estrelas,
 Nossa Senhora da Apresentação
 e Justificação
- A Fome!


Álvaro Feijó, (1917-1941)


Pintura de António Firmino

terça-feira, 8 de março de 2016

Mulher



    8/3/2016

da Felicidade não sei;
 sei da cumplicidade das risadas
 da conjura
 da alegria 100% pura
 da transparência no varrer do sofrimento,
 do muito crer ir além do firmamento
 sei
 da garra e da ternura com que invento
 o que em mim me serve de sustento

sábado, 5 de março de 2016

Baleias

                                                                   BALEIAS

O mar sem fim conhece-lhes os percursos misteriosos
 pontuados de falas, silêncios, cantos e suspiros
 Assim por diante, de cem a duzentos anos de solidão


            Rui Caeiro  (1943)



quinta-feira, 3 de março de 2016

Fractal?




Frack-tal

Inhumana chispa
rectitud, insolencia clara córnea,
abeto, obsoleto…
cyan, noche crispada
reminiscencia
ablanda el corazón, la cúspide, sol
de cuatro rayos
sol de cuatro voces
soil
de mil letargos
uno a uno a uno a aún no
soy
tan tin tan tin
la rama… roble, gas,
vidrio, retornable
en horno de piedra arderás.
plomo olvido ornamento menta mientes mientras
tras
la reja, gira la aldaba
ven:
calor en el tabaco de un ranchero
urgencia de encontrarse a un heredero.
a uno a uno aún no
tin tan tin tan tan.


Míkel F. Deltoya, México (1991)


quarta-feira, 2 de março de 2016

Ar


    RITMO

 Involuntário e tão banal
 este contínuo inspirar
 fundo ou leve ou mesmo
 intensamente irregulado
 ofegante ou sísmico. Por vezes
 chama-nos uma desistência funda
 e dorida desse obrigatório ritmo,
 esquecidos de que nenhuma pátria
 ou ideal é maior e mais gratuito
 que esse composto cada vez mais
 em desfalque oxigenado
 que nos invade docemente as altas
 narinas, percorre canais e membranas
 e desce democraticamente
 às saídas menos nobres.


 Inês Lourenço (1947)