terça-feira, 29 de novembro de 2016

Torre inacabada

Gustave Le Gray
Tour Saint-Jacques

Sobre un pedazo de piedra acanalada
se recarga el peso
de la torre inconclusa
desde donde se mire está rodeada
de otoños
ella sigue ahí con pequeños nichos

y guarda del viento sus espasmos

al final del día lo único que habla
es su contorno
rojizo
y a lo lejos su forma alada

de cerca el ángel que parece torre
—lleno de gárgolas—
es poseído por demonios.


Silvia Eugenia Castillero, México (1963)

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Interlúnio


Interlúnio

Despertam os dias na intensidade da escassez
em densas manhãs por sonho espesso revoltas;
 caminham os pés- verdes, um de cada vez ,
 ritmando por ora as horas mortas
que são, de súbito, degraus
 silêncio e palavras, secos paus
que  iluminam o vazio.   
Extensas as noites
fenecem num arrepio.

sábado, 26 de novembro de 2016

O beijo



El beso

Por celebrar el cuerpo, tan hecho de presente
por estirar sus márgenes y unirlos
al círculo infinito de la savia
nos buscamos a tientas los contornos
para fundir la piel deshabitada
con el rumor sagrado de la vida.
Tú me miras colmado de cuanto forja el goce,
volcándome la sangre hacia el origen
y las ganas tomadas hasta el fondo.

No existe conjunción más verdadera
ni mayor claridad en la sustancia
de que estamos creados.
Esta fusión bendita hecha de entrañas,
la arteria permanente de la estirpe.

Sólo quien ha besado sabe que es inmortal.


 Raquel Lanseros, Espanha (1973)


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

As Sereias


À NAGEOIRES

La Sirène est une bête, blonde en général
Qui se choisit un coin dans une mer fréquentée
Et s’étend sur un gros caillou
En guettant les hardis navigateurs
Pour des motifs extra-nautiques.

La Sirène gueule comme un putois
Tout d’abord, pour attirer les hommes
Mais en réalité, afin d’également prouver
Qu’elle n’est pas un vrai poisson.

Malgré ce complexe d’infériorité
Elle n’hésite jamais à faire des avances aux gros capitaines
                                                                                       [poilus
Mais la Sirène n’a pas de veine
Car depuis Monsieur Dufrenne
On sait que les marins ont (parfois) de mauvaises moeurs.


Boris Vian




quarta-feira, 23 de novembro de 2016

« Anoitecer de Outono»



Crepúsculo de Outono;
- Devo acender a candeia?
   Alguém me pergunta agora.

Será mais bela a noite acesa?
  sussura a voz dela
    prolongando o crepúsculo.


Etsujin, Japão (1656?-1739)

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

in Apócrifa- PLEC


 Não trago muito
 só o ânimo incerto
 face à quietude de um rio eterno
 e um punhado de coisas ocas
 pestíferas de falta de préstimo
 E quando for a guerra a termo
 os mortos levados
 um império despojado
 e os campos permanecerem
 vazios e lavrados
 correrá sangue nas flores
 Não guardei muito:
 para lá dos braços e mãos inúteis
 não podendo ter de nada
 vaporizado a vida
 Mercenário do infinito,
 escavei algum absoluto
 no espaço onde enterrei companhia
 Agora luto e noite na paz
 e só metade de sabedoria
 que me amaine o horto de incêndio
 e o sepulte no panteão
 o resto levou-me a guerra


Marta Esteves, (sem dados precisos)


domingo, 20 de novembro de 2016

En avoir Plein...



PLEIN

Plaine sotte
 Sans rien vert…
 Ciel couvert
 Qui toussotte.

L’eau tapote
 En pivert.
 L’œil ouvert,
 Mon chien trotte…

Urinal
 Automnal
 Des nuages,
 Quel pisseur
 Emplisseur
 Se soulage ?...

Boris Vian, França (1920-1959)