terça-feira, 25 de agosto de 2020
sábado, 8 de agosto de 2020
Dá fundo- flutuando
segunda-feira, 27 de julho de 2020
Deambular em alerta
O novo flâneur II
navega
num informático oceano
feito de simulacros
de imaginadas redes de sentido
Olha o écran
o novo espelho
que figura e desfigura
o seu medo maior
Onde é que há
um espelho que tranquilize?
A imagem é só ela:
uma constelação de impasses
um palimpsesto
feitos de interfaces.
Ana Hatherly
(texto publicado
em 2001)
domingo, 19 de julho de 2020
Marulho de mar
Molhar as plantas
tudo tem barulho de mar
enceradeira isopor carro
em movimento aerosol
espirro pistola moeda
telha bombardeio cigarro
queimando pia degradê
cãimbra inseto monge
sua vizinha o futuro
tem barulho de mar
na camiseta no quadro
chinelo aeroporto gaiola
panela caverna birita
beijo tem biblioteca
também um curió bola
de chiclete sobretudo
um dinossauro alado
tem mar de todo tipo
de barulho e dentro
de cada mar um ralo
entupido de cabelos.
Bruna Beber, Brasil, 1984
segunda-feira, 13 de julho de 2020
No fundo da memória, uma fera
É a violência que dita os nossos percursos
como a paixão que se extingue em mãos indomesticáveis,
o pulsar das
linguagens que dominamos
dentro de cada
cicatriz, uma memória
dentro de cada reino,
um tirano.
é de violência que
somos feitas
como acordar para uma
ressaca infinita
e cancelar a noite,
apagar os emails onde nos ofendemos.
há um animal selvagem no fim da memória
alimenta-se do furor das coisas
aquelas que são atiradas para o chão e partem
e se desfazem em tantos pedaços inalcançáveis até serem
a confusão que trazemos por dentro.
Sara F. Costa, 1987
domingo, 12 de julho de 2020
Momentos
Ponto assente: vamos morrer. A questão é quando e como. Na verdade, o como não chega a ser questão. Podemos morrer de morte súbita, de morte lenta, de acidente, assassinados, podemos pôr termo à vida. Que importa? A questão essencial é quando vamos morrer. Se esta dúvida nunca atormentou o leitor, ponha os olhos em Adalberto Pirralha. Morreria para saber quando seria o seu momento fatal.
(excerto de Call Center)
Henrique Manuel Bento Fialho, 1974
sábado, 11 de julho de 2020
Sabor/Rumor
esse oculto sabor das coisas fluidas!
um silvo que celebra
o sol
como se um
chamamento:
é um favo, uma flor,
a mamangava,
é o zoom de uma asa mordida,
e a pulsação do
silêncio miúdo
celebrando a vida
do voo mínimo à breve meta florida,
um zumzum de girassol
em flor, em favo,
um pouso, enfim,
e a sangrenta paz
pulsando
em todo silêncio:
esse oculto rumor das coisas mínimas!
(autor não identificado)
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